• Mamãe Jamile Romeu

Os filhos e a culpa - como se livrar desse sentimento?


O sentimento é democrático e atinge mulheres de todas as idades, de todos os níveis financeiros e culturais. Se você discorda de mim e afirma nunca ter se sentido assim, ou você encontrou o equilíbrio e precisa dividir isso com a gente, ou terceirizou os filhos e parou de se importar com eles.

Ainda na gravidez nasceu um pote de culpa dentro de mim como mulher. Peço licença ao Papai no Controle, mas preciso falar em primeira pessoa. Eu passei a me cobrar de acordo com o que os meus “padrões culturais” ditavam como sendo o “correto”. Gostaria de ser uma super-mulher! Uma dona de casa incrível, com um poço de paciência, brincar com Tarsila, trabalhar fora, dar atenção pro marido, deixar todos felizes e fazer comida fresquinha todos os dias. Mas a realidade sempre esteve bem longe disso!

Tenho visto muitas postagens com relação à esse tema. Me sinto aliviada por não ser a única e quero dividir com vocês um resumo com as 5 maiores culpas que eu já carreguei nesses quase dois anos e meio da Tarsila:

- Passar muitas horas longe de casa:

Essa liderou o ranking. Eu sentia uma culpa na alma por trabalhar demais e deixar minha filha com outras pessoas! Saía muito tarde do trabalho e quase sempre chorava no caminho de volta. Me achava a pior das criaturas e sempre pensava que estava perdendo os momentos mais importantes da vida dela- e da minha. Há alguns meses pedi demissão pois já estava sufocada. Saí de um dos empregos e hoje vivo uma vida bem mais tranquila e com muitas outras cobranças. Apesar disso, sempre vem aquele restinho de culpa quando eu saio para os meus plantões, vou a academia, saio com o marido ou deixo ela na casa da avó.

- Perder a paciência:

Quem nunca deu uns gritos com o filho que atire a primeira pedra. Às vezes eu chegava muito tarde em casa e, em vez de encontrar uma família jantada, banhada e feliz, encontrava a cria emburrada e o marido com fome, Tarsila dando crises de birra, roupas espalhadas e louça suja. Perdia a paciência e dava logo uma bronca. Tadinha. Ela chorava e partia meu coração. Hoje eu me concentro muito antes de tomar qualquer atitude com raiva. Busco encontrar motivos nas explosões de birra e só falo quando eu estou calma.

- Não ter muito tempo a dois:

Essa é outra que me incomoda bastante. Tarsila sempre no topo das prioridades, com diversas atividades, querendo atenção, dormindo na nossa cama, acordando 30 vezes por noite e sem dar um tempo de 5 minutos, pelo menos para eu perguntar como foi o dia do meu marido. Gente, eu sei que é sofrido, mas o casamento está em primeiro plano e as vezes um vale-night à dois faz bem para todos, inclusive para os filhos.

- Não ser perfeita. Não dar todos os exemplos que eu queria:

Sempre imaginamos filhos perfeitos, educados, finos e exemplares, sendo que nem nós somos assim. Às vezes fico emburrada, falo da vida alheia, deixo de orar, não leio pra minha filha, esqueço da hora do almoço, dou pipoca na janta. Essa é uma culpinha do dia a dia, em situações que me pego fazendo e quando olho pro lado, tá a Tarsila igual uma esponjinha, absorvendo tudo o que eu faço, de certo e de errado.

- Não cuidar de mim

Ir pra academia virou um pesadelo. Fiz o plano de 12 meses e comecei bem. Depois de um tempo, eu passei a pensar que não era justo eu passar duas horas na academia enquanto a roupa transbordava no tanque ou a casa estava imunda. Resultado, parei de ir, cancelei o contrato e agora me olho no espelho e morro de culpa por não ter me cuidado mais. Isso, sem falar da manicure, cabeleireira e, por aí vai.

PALAVRA DE ESPECIALISTA

Para a psicóloga perinatal e idealizadora do projeto “Renascendo após a maternidade”, Bianca Amorim, a culpa dos pais existe, pelo fato de vivermos em sociedade e recebermos uma herança de valores, que ditam como devemos agir. “A partir do momento que atuamos de uma forma diferente do "esperado" por essas normas morais, começamos a nos culpar, diz Bianca”

Ela fala que ao invés de tentarmos parar de sentir culpa, precisamos canalizar nossa energia em lidar com ela de uma forma diferente. “O primeiro passo é: quando se sentir culpada por algo, reflita se essa culpa vem do que você acredita ou do que você absorveu da sociedade. Muitas vezes nos culpamos por algo que nem concordamos como sendo o certo, mas se você acredita que realmente errou, pare e se pergunte: o que farei de diferente na próxima oportunidade? Quando lidamos desta forma com a culpa, demonstramos uma maturidade psíquica".

LIDANDO COM A CULPA EM 3 PASSOS:

Pare e reflita se você realmente concorda com o motivo da culpa.

Coloque o foco na solução. A culpa tem um lado positivo que é a reflexão e mudança.

Assumir a responsabilidade pela ação que gera a culpa. Seja consciente de que você está agindo dessa forma por trazer benefícios para todos, como deixar a filha com a avó para ir à academia.

Assista o vídeo da Bianca Amorim no Youtube:

https://www.youtube.com/watch?v=9WrlYtKkP7A

#culpa

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