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Fraldas pra que te quero? Como vencemos a batalha do desfralde


Desde que a Tarsila nasceu, sonho com o momento de retirar as fraldas. Na cidade desértica em que vivemos, as fraldas sempre me pareceram desconfortáveis, quentes e desesperadoras.

No início do ano, anunciaram um projeto para a retirada coletiva das fraldas na escola, parece que nem todos os pais assinaram a agenda e a coordenadora responsável precisou se afastar.

Passamos a pensar em um plano para fazer isso aqui em casa, pois já achava que era a hora. Conversando com alguns especialistas percebemos que a criança precisa dar os sinais de que ela já está pronta para retirar a fralda. Muitas crianças fazem cocô e xixi sem perceber. Uma psicóloga me sugeriu reparar se ela parava o que estava fazendo para fazer cocô, e se tinha consciência de que precisava fazer força e se concentrar para que as necessidades saíssem. As respostas foram boas. Uma outra coisa é a capacidade de pular com os dois pés juntos, ou descer escadas com um pé em cada degrau, isso pode significar que ela já tem algum domínio sobre a musculatura pélvica.

A situação apertava, o preço da fralda subia e Tarsila ficava cada vez mais assada. Passamos a conversar muito com a ela sobre isso. Não queria que se sentisse oprimida ou traumatizada e passamos a pensar no melhor “método” para o desfralde.

Mamãe questionou na escola quando seria o tal momento certo e a coordenadora disse que já poderia começar no dia seguinte. Mandou a mamãe levar dezenas de calcinhas e muitas roupas. Assim fizemos. No dia seguinte, todos os xixis foram na roupa, no segundo dia, a mesma coisa. Tarsila estava nervosa e insegura. Chorava muito. Me arrependi com a velocidade da decisão, eu não estava preparado, nem ela.

Conversamos com uma amiga psicopedagoga que nos deu muitos toques, como carregar o penico dela todos os dias pra escola e levá-la ao banheiro a cada 30 minutos. Na escola também houve uma reunião para "treinar" as tias.

No primeiro dia de “concerto do desfralde”, acordamos cedo e buscamos todos os vídeos que mostravam o assunto na prática. Mamãe achou esses abaixo... Ela assistiu todos, muito seriamente, pois não queria falar sobre o assunto, mas no final, acabou cedendo as musiquinhas e dançando.

XIXI, COCÔ E PUM

O QUE TEM DENTRO DA SUA FRALDA?

Mamãe teve uma ideia teatral depois de assistir esse segundo vídeo. Passamos para a segunda parte do nosso plano de vida sem fraldas.

Relato da mamãe:

"Peguei a boneca preferida e coloquei uma fralda. Nos bastidores, busquei bolinhas de sucrilhos de chocolate. A boneca (no caso, eu) cantou a música mil vezes e sentiu vontade de fazer cocô. Pedi ajuda pra Tarsila, quando ela abriu a fralda... fum.... a boneca tinha feito cocô bolinha! Ela ficou muito admirada. Mas a boneca não estava feliz, pois queria fazer no penico, igual o livrinho. Colocamos ela no penico e lá foi! Minha veia artística reinou e a boneca encheu o penico de cocozinhos (ninguém precisa saber que era sucrilhos, ok?) Em seguida, peguei um pacote bem bonito e disse que era o presente da boneca, por ela ter feito o primeiro coco no penico.

Tarsila vibrou, comemorou, pirou, queria saber o que tinha dentro. Abri o pacote, eram as calcinhas mágicas, mais coloridas e radiantes que ela já viu! A boneca amou e pra comemorar fez até xixi lá no peniquinho, por cima das bolinhas! Depois fomos todas juntas levar a gororoba para o vaso. Aliás, uma dica, não diga adeus ao cocô, a criança pode ficar com medo de cair no “buraco negro” e nunca mais voltar.

Tarsila também queria uma sacola de presentes! Ficou eufórica. Saiu em direção ao penico e tcharam: fez o xixizinho mais lindo de todos. Voltou, fechou os olhos e esticou as mãos. Ela adora recompensas. E lá fui eu correr atrás de uma sacola maravilhosa com calcinhas incríveis. Consegui. Ela ganhou! Pulou, vestiu, dançou e mostrou mil vezes o presente para o vovô. "

Na hora da aula, lá foi o penico de um lado para o outro. As tias foram orientadas a levar as crianças do desfralde ao banheiro a cada 30 minutos, independente da vontade. Deu certo, o penico já não era mais necessário, pois ela fazia no vaso de criança.

Rolaram umas escapadas, principalmente de cocô. Eu via ela espremendo, mas ela colocava a mão e dizia: Fica paradinho papai, eu vou fazer aqui. Tudo bem, nada de pressão ou bronca. Sempre que isso acontecia eu procurava entender. Abraçava, elogiava e dizia que íamos aprender todos juntos. Uma briga na hora errada poderia colocar tudo a perder.

Seguimos a batalha. A noite conversamos com ela e disse que iria deixa-la de fraldinha para ela dormir melhor. Certo ou errado, sentimos que seria bom pra ela. E foi. Dormiu tranquila.

A palavra cocô quase não é falada, ela usa xixi para os dois. Na dúvida, melhor correr e esperar para ver o que vai sair. Uma semana se passou e tudo virou uma grande brincadeira, ela ama gritar xixi e ver toda a família correndo para leva-la onde for necessário. Claro que ela já fez na grama, no asfalto, na moita, no vaso grande, banheiro público e onde mais a sua imaginação permitir, mas isso é assunto para a próxima postagem!

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