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Comparar crianças - Um erro comum!


O filho do vizinho já fala papai! Seu bebê ainda não anda? Será que não é melhor procurar um especialista? Por que sua filha não fala direito? Os meus filhos comiam tudo nessa idade....

Se você é pai ou mãe, com certeza já ouviu alguma crítica comparativa dessas. Nivelar crianças por uma “tabela” de desenvolvimento é a maneira mais cruel de torturar e frustrar os pais. O mais engraçado é que esse tipo de comentário vem justamente das pessoas que já passaram por isso e não conseguem se lembrar como era ruim ter seu filho diminuído ou apontado pelos outros.

É importante lembrar que cada criança tem seu próprio ritmo de crescimento e isso não quer dizer que ele vai ser mais ou menos inteligente ou bem-sucedido no futuro.

Li uma postagem no Instagram da psicóloga Daniela Nogueira - @paisemacao, que me fez refletir muito sobre isso. Ele diz que Einstein era uma criança com desenvolvimento considerado lento, quando comparado as outras crianças da mesma idade. Ele só foi falar corretamente por volta dos 9 anos e isso, certamente foi motivo de muita chateação. O tempo passou e ele virou um ícone de genialidade até hoje. Engraçado não?!

Esse exemplo só prova que não existem regras! Realmente é preciso levar em consideração as características de cada indivíduo e respeitar os limites, os medos, os desejos e as vontades das crianças.

Sim, eu também tenho vontade de sair gritando por aí que o Ravi aprendeu isso ou aquilo, mas é um pouco demais querer fazer disso uma competição pra ver quem faz mais coisas primeiro. Pé no freio e cadeado na língua galera. Tudo tem seu tempo!

Segue na íntegra a postagem do @paisemacao . Vale a pena ler!

O gênio Einstein disse sobre si mesmo "Às vezes me pergunto como é possível que tenha sido eu quem desenvolveu a teoria da relatividade. Acredito que o ser humano, desde sua infância, reflete constantemente sobre os problemas do tempo e do espaço. Como meu desenvolvimento era lento, me deparei mais tarde com estas questões e, por isso, pude mergulhar mais profundamente nelas do que uma criança de capacidade intelectual normal, que procura mais cedo respostas para estas perguntas". Não sei se todos conhecem sua historia, mas Einstein teve um desenvolvimento lento quando comparado às outras crianças de sua idade, por ex, ele demorou a falar e só foi fazê-lo de forma normal e correta por volta de seus 9 anos. Ele não foi o 1º nem será a último a ser estigmatizado ainda na infância por ter um ritmo de desenvolvimento diferente. É mais fácil aceitar que os dentinhos de um bebê nasçam devagar do que ter a mesma paciência caso o ritmo cognitivo é o que esteja indo devagar. É preciso pensar sobre isso, pois a cada dia estamos exigindo mais do desenvolvimento das crianças.

Em seu texto "Desenvolvimento lento ou diferente" a pediatra Judit Falk faz uma análise sobre os diferentes ritmos que os bebês têm e destaca que seguir tabelas e escalas de desenvolvimento, por vezes, nos leva a focar apenas na média geral de idade em que certos acontecimentos aparecem. Isto nos passa a idéia falsa de que o padrão de desenvolvimento das pessoas é muito parecido. E que apesar de sabermos e reconhecermos que existem variações grandes entre o modo que cada ser humano cresce e se desenvolve, essas diferenças individuais são vistas como "pouco importantes" em relação ao tipo ideal. Quando li esse trecho me entristeci, tomei consciencia de que todos nós ouvimos isso do nosso pediatra mas, na hora de olhar o próprio filho ou aluno, damos pouca importância para esta faixa enorme que existe de ambos os lados do desenvolvimento (o lento e o precoce) e que é considerada NORMAL, mas por ser DIFERENTE, entramos em alerta, em alguns casos, paranóia. "Será que tem algo errado com meu filho?"

É por isso que bato na tecla de que precisamos ter informações corretas, de qualidade e de preferência com profundidade e não recortes simplistas que causam mais desserviço do que apoiam os pais (como é comum vermos na internet). Emmi Pikkler já defendia que crianças com desenvolvimento lento não só têm o direito de viver essa fase em tranquilidade como têm suas razões para tal e precisam ser respeitadas ao invés de aceleradas. Releiam a frase do Einstein no começo do post e entenderão! Os momentos em que uma criança leva mais tempo que outras para conquistar certos feitos não são tempo perdido à toa, mas importantes etapas de tentativas e ensaios, de experiências e descobertas. ✨São exercícios que a criança se propõe cujas soluções ela mesma pode dar.✨ Isso é fantástico! A criança que vive esse tempo onde soluciona aquilo que pode, aprende a aprender. Aprende a se conhecer e se respeitar ao invés de ficar insegura e aflita com o que ainda não dá conta - mas os grandes amores de sua vida, papai e mamãe, esperam dela.

Como todos os processos de se desenvolver estão interligados, "tudo repercute sobre tudo" diz Judit Falk. Treinar, condicionar e adestrar a criança para que ela atinja logo o próximo estágio sem ter as bases sólidas (feitas por conta própria, no tempo que for) se torna inútil, supérfluo e pior, pode desorganizar as etapas posteriores. O ser humano não se faz só de sua parte física, mas também do psicomotor, psicossocial e afetivo. Não dá para separar as partes, é preciso ter paciência e respeito até o bebê e a criança alcançarem o ponto de equilíbrio. Tempo ao tempo! #paisemacao

Daniela Nogueira é Psicóloga, Educadora, aconselhadora para Pais, Mãe de um casal de gêmeos de 2 anos.


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