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O choro e o nascimento da mãe


O bebê acaba de nascer e o sonho vira realidade. Ela chega em casa, se vê diante de uma realidade totalmente nova e a única vontade que tem é chorar! Mas quais os motivos que levam uma mulher a se entristecer diante de um momento tão lindo?

Existem muitos pais que sonham e se projetam por muitos anos até chegar a uma gestação cheia de tensões e expectativas. São muitos meses em que a mulher se torna o centro das atenções. A sociedade olha para essa mulher com esperança de futuro. E ela vive uma fase de estrelismo e recebe um cuidado extremo.

Os olhares mudam de foco. Agora ela tem uma vida no colo e começa a se perguntar o que fazer. Dizem que quando nasce um bebê nasce uma mãe e muitas pessoas esperam essa mágica acontecer. Sinto dizer que esse amor incondicional não surge no momento do parto, ele apenas começa ali. O amor é um sentimento em construção que não nasce instantaneamente.

Nesses primeiros 30 dias a mulher tem um duelo de sentimentos e isso não é falado, não é trabalhado por ela, nem pela família. Claro que ela sente amor e alegria, mas existem sentimentos de inquietude, de angústia, de medo, de insegurança, de tristeza. As vezes não entendemos isso, mas é importante pensar e se preparar.

Se você já teve um bebê procure lembrar de todos os sentimentos misturados que iam da alegria profunda à melancolia.

O nascimento da mãe só acontece quando ela se dá conta desse duelo. Antes ela era uma mulher que tinha seu trabalho, seus valores, princípios, prioridades e uma vida traçada. De repente isso muda. O foco, as prioridades e os princípios mudam. A gente não se dá conta do motivo pela qual uma mãe chora. Muitas delas se escondem por vergonha de admitir essa melancolia, que, na verdade acontece com a grande maioria.

É preciso compreender que isso não demonstra fraqueza. Mas é causada tanto pela mudança hormonal, física, mas também por esses sentimentos tão profundos de luto que ela está vivendo. Ela precisa entender que uma nova mulher está surgindo.

Todo esse luto que acontece com essa mulher é uma despedida da vida que ela tinha antes e não vai ter mais, principalmente quando se fala em vida social. Não que ela nunca mais possa sair ou encontrar com amigos, mas a vida social vai ser outra. Com novos formatos e prioridades. Serão novos amigos com interesses em comum.

Essa melancolia natural fisiológica é impulsionada, em primeiro lugar, pela própria natureza que, começa a cobrar que ela fique com o seu filho, que ela acompanhe e crie a criança. E em segundo por que existe essa mudança por conta do luto da mulher que ela era. Por isso que ela se questiona nas relações sociais e na profissão.

MAS POR QUE A MULHER PASSA POR ISSO?

A mãe precisa entender esse choro, essa angústia aparentemente sem motivos. Ela olha para o filho, se sente culpada pergunta o porquê de estar se sentindo triste. Justamente por conta desse luto que ela está passando e o renascimento da mãe. Os hormônios fazem com que ela se sinta angustiada e com baby blues nesse choque de emoção. Se ela se compreender nesse momento ela pode ter consciência e controle sobre esses sentimentos.

Isso dura alguns dias até que os hormônios se acalmem e a rotina entre nos eixos. Se essa melancolia natural fisiológica passa de uma semana ela precisa ser observada e levada a profissionais. Se ela continua sem fome, sem brilho no olhar, ela precisa de ajuda, de uma rede de apoio que sinalize, sem machucar, sem invadir. Pois pode ser uma depressão pós parto e isso também não é motivo de vergonha ou de fraqueza.

A mulher já tem esse lado mais emocional que é somado às quedas hormonais. Depois que ela passar desse luto ela vai se redescobrir e renascer. Não tenham medo e não achem que tem algo de errado. Chore e aceite esse momento como um processo natural, para que isso seja natural para você.

O pai é fundamental para que essa fase seja vivida, compreendida e superada. Não puxe a mulher de volta, não tente interromper esse processo, apenas acolha e viva o momento ao lado dela.

Tudo vai dar certo.


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