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O nascimento do pai - Um luto cultural


Quando o homem se torna pai, ele vive um luto muito forte. O luto cultural. Ele vai ter que aprender de dentro para fora e ressignificar toda a sua bagagem cultural.

Estamos falando de uma geração de homens entre 30 e 40 anos, que, em grande maioria, foram filhos de pais que reprimiam as emoções. Eles não podiam chorar, não podiam expressar sentimentos, se envolver com afazeres domésticos ou brincar com “coisas de mulher”. Claro que não é 100%, mas muitos são retrato de uma educação autoritária, onde o homem não podia chorar e acabou não aprendendo a habilidade de expressar os seus sentimentos.

Esse homem se torna pai e se vê em uma cultura totalmente diferente daquela para qual ele foi treinado. A realidade já não é mais a mesma dos seus pais.

A esposa tem a necessidade de trabalhar para manter a casa. A rede de apoio já não é tão intensa e ter uma babá ou secretária se torna extremamente caro. Então esse mesmo homem se vê um choque cultural onde vai precisar fazer os trabalhos de casa, cuidar da criança e da mulher recém-parida. Muitos não conseguem ressignificar o passado e tem dificuldades de se expressar com a mulher, com o bebê e com essa nova família.

Assim como a mulher está vivendo o luto dela, ele também está passando por isso. Qual é o papel dele agora? Ele é apenas o provedor? o homem que sustenta que leva alimento? estamos em outra era, em um momento cultural, emocional, econômico e social totalmente diferente. Esse homem vai viver isso de forma muito forte. É a era da informação. Como demonstrar uma coisa que ele foi represado por toda a sua vida?

As mulheres também precisam entender isso que está acontecendo com ele. Ele está tentando entender quem é ele nesse novo papel. Nessa família. Hoje ele precisa dividir essas atividade e essas tarefas junto com a mãe. Antes isso era papel da mãe, hoje não é assim.

Ele precisa colocar esses sentimentos para fora para falar pro filho que ama. Para expor sentimentos e, inclusive, ajudar o filho a entender os próprios sentimentos. Isso é um profundo mergulho em si mesmo. Um profundo exercício de autoconhecimento.

Sim, talvez você esteja julgando esse homem pelos seus pensamentos ou atitudes, mas como julgar uma pessoa que foi criada dessa forma? É preciso transbordar empatia e se colocar no lugar do outro. Além de todo esse mergulho, existem dois pontos que precisam ser avaliados.

A MURALHA

A barreira que a mulher, de forma inconsciente, faz e acaba dificultando o nascimento desse pai. As cobranças e comparações. As vezes a mulher idealiza um modelo de pai durante a gestação e, quando a realidade bate, ela começa a comparar o marido dela com os "pais perfeitos" do Instagram. Quando ela faz comparações e cobranças, ela inibe e dificulta esse processo, que também precisa ser natural. É preciso dar tempo para esse homem que vive o luto - que é uma palavra muito forte. A mulher precisa ter empatia, reduzir as cobranças, eliminar as comparações e encorajá-lo. Ele vai conseguir.

ATITUDE

Um outro ponto extremamente importante é que independente desse luto, da dificuldade, das descoberta, cobranças e comparações que vão acabar acontecendo, você, homem, precisa assumir essa responsabilidade e quebrar esse ciclo de famílias com pais ausentes, fruto de uma cultura enraizada. Infelizmente, a maioria das famílias que eu atendo, percebo que esse homem ainda carrega essa limitação paterna nele. Ele precisa ter tempo para se descobrir, mas não pode deixar de ter as suas responsabilidades.

Claro que não podemos culpar esse homem que pensa dessa forma, pois ele aprendeu assim. Bem como não se pode culpar a mulher pelo zelo exagerado pelo bebê. Mas para um casal se tornar forte e unido é preciso encontrar um equilíbrio. Uma nova conjuntura família. Uma nova forma de ser marido e mulher, de ser pai e mãe.


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