• Jamile Damasceno

PAIS E FILHOS - como manter a saúde psicológica em casa?


 Nem sempre é dos filhos a culpa de conflitos dentro de casa. Algumas famílias insistem em jogar para o lado mais fraco o peso de todos os problemas para não assumir os próprios erros. Papai no controle foi em busca de respostas. Afinal, quando saber quem realmente precisa de tratamento psicológico?  pais ou filhos?

 Fomos convidados para participar de um bate papo muito legal promovido pela Julyana Mendes, do ig @maedesete. O evento Mãe de sete convida contou com a participação de dois profissionais muito renomados em Brasília, o Thiago Blanco, psiquiatra e Lydia Joffily, psicóloga. A conversa girou em torno da criação de filhos e como podemos ser pais melhores, desencanados, imperfeitos, normais. 

PRIMEIRA INFÂNCIA

 Dra Lydia iniciou a palestra falando sobre a necessidade do "olhar que pausa". Sabe aquele momento quando o bebê sai da barriga da mãe e olha pra gente?! Quando você e ele se conectam de uma forma intensa, então, é ele precisa continuar por toda a vida e demonstra cuidado, atenção, existência. Principalmente na infância. Segundo ela, o padrão de vínculo entre a criança e os cuidadores é estruturado até os 2 anos. 

 Especialista em traumas, ela afirma que nenhum trauma é pra sempre e que o nosso cérebro tem a capacidade de se reestruturar psicológicamente. "O que cura um trauma é o contato com um cuidador suficientemente bom", diz. 

 Para o Dr Thiago na relação pais e filhos, ninguém pode cobrar a perfeição dos super-heróis. É preciso ser bom o suficiente para demonstrar amor, sentimentos, arrependimentos. Para ele, "a falta é estruturante". A ausência e a frustração também são peças fundamentais para formar um indivíduo forte e maduro.

SENTIMENTOS

Julyana questionou os participantes sobre a adolescência do bebê, que acontece por volta dos 2 anos. Segundo Dra Lydia, o indivíduo, que era um bebê, começa a testar sua autonomia e se vê como um ser independente da mãe, que  já consegue andar, falar, demonstrar o que quer. Nesse momento a criança começa a testar seus limites e passa por dois tipos de sentimentos: a frustração e a raiva. Não é possível interferir nos sentimentos de cada criança, mas é preciso interferir nas reações que a raiva provoca. "O respeito, ou a falta dele, precisa ser tratado como um assunto extremamente grave na família. Algo intransponível e inaceitável!", diz a psicóloga. 

 Para a Mãe de sete, as crianças ainda não entendem os sentimentos e precisam de ajuda até para nomeá-los. Cabe aos pais legitimar esse sentimento e mostrar para o filho que entende e valoriza cada um dos conflitos internos. Para ela, é preciso mostrar que a raiva, por exemplo, é normal, mas que cabe a cada um saber o que fazer com esse sentimento. 

 Dr Thiago ressalta que celebrar o bom comportamento e desvalorizar o mau comportamento são atitudes com efeitos poderosos. Ao dar atenção demasiada para uma birra, por exemplo, a criança entende que consegue chamar a atenção de todos e passa a fazer com mais frequência. 

ADOLESCÊNCIA

Segundo o psiquiatra, a maturação cerebral acontece por volta dos 24 anos, mas, neurológicamente, não é possível afirmar qual o momento certo para o fim da adolescência. Essa é uma fase delicada, em que os filhos precisam da supervisão dos pais, mas também precisam saber que são capazes. 

"Causar o sentimento de incapacidade nos filhos faz com que o sujeito continue sendo um bebê". Segundo O psiquiatra, Freud denominava esse indivíduo como "sua majestade, o bebê". Um ser que consegue o que quer na base do grito, do choro, da necessidade de atenção. 

Muitos pais veem nas escolhas dos filhos uma frustração ao modelo que foi pensado para eles desde o nascimento. Quando esse planejamento é interrompido, a frustração e a raiva podem causar grandes danos no ambiente familiar. É nesse momento em que os pais precisam aceitar que não tem domínio sobre os pensamentos, atitudes e decisões dos filhos.

"Filhos são apêndices narcísicos dos pais. Exigir em excesso causa sofrimento", diz Thiago.

Dra Lydia deixou bem claro que os jovens precisam ter o espaço respeitado pelos pais e que eles também precisam ter voz ativa dentro de casa. Para ela, se os pais desejam ter uma relação de sinceridade e com diálogo aberto dentro de casa, é preciso entender os sentimentos dos filhos e estar disposto a ouvir, sem condenar. "A relação de cumplicidade está ligada ao quanto estamos dispostos a ouvir", conclui Lydia. 

SOBRE

 O evento Mãe de sete convida é gratuito e acontece uma vez por mês em um hotel luxuoso de Brasília. A cada mês, Julyana conta com a participação de convidados especiais, que tiram dúvidas, dão dicas e dividem conhecimento com papais e mamães de plantão.

 Acompanhe a programação pelo instagram @maedeseteconvida

 Quer conhecer melhor os entrevistados? Acompanhe os igs @lydia_joffily e @thiago_blanco

 Papai no Controle indica o evento e agradece a nossa nova parceira! 


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