• Jamile Damasceno e Marcos Romeu

Violência obstétrica - como sobreviver aos traumas?


Ao longo da semana, divulgamos casos de mulheres que sofreram Violência obstétrica e a opinião de profissionais das áreas medica, jurídica e penal.

Veja:

Violência Obstétrica - assunto de macho

Parto desumano - Uma das faces da violência obstétrica

Negligência obstétrica - A dura realidade dos hospitais públicos

Parto normal - Um direito negado em hospitais particulares

Segundo pesquisa da fundação Perseu Abramo, 1 a cada 4 mulheres sofreram esse tipo de violência no Brasil, mas o número de vítimas pode ser ainda mais expressivo. A cada postagem, recebemos mais relatos chocantes, perdemos o sono durante a madrugada, oramos pelas mulheres em trabalho do parto e nos sentimos pequenos diante de tanta covardia.

Não queremos em momento nenhum causar pânico gratuito. Não é nossa intenção desmotivar mulheres a parirem por vias normais. Em toda área existem bons e maus profissionais. Não queremos destruir sonhos. Isso não cabe a nós. Nosso objetivo é abrir os olhos para a gestação. Mostrar para as mulheres que elas não são obrigadas a aceitar qualquer tipo de violência de gênero.

Recebemos centenas de mensagens e algumas mulheres nos autorizaram a usar seus relatos.

PALAVRA DO PROFISSIONAL

Para o psicólogo Rafael Abadio, muitas mães acabam traumatizadas e deixam de ter novas vivências, inclusive boas, pois estão presas ao passado. “A mulher que sofreu esse tipo de violência tende a criar uma regra, onde generaliza todas gestações conforme a experiência negativa que vivenciou. Desconstruir essa ‘regra’ é um dos maiores desafios da psicologia. É preciso mostrar para elas que cada gravidez, cada parto e cada situação é única”.

Rafael fala que nos casos em que a mulher se encontra em depressão profunda é necessário a intervenção de um psiquiatra, pois apenas a terapia não vai fazer o efeito necessário. Depois de tomar as medicações adequadas e estabilizar a depressão, aí sim, ela deve procurar um psicólogo para vencer os traumas e seguir adiante. O psicólogo alerta que o profissional que atua dessa forma, humilhando e punindo a paciente, também dá sinais de que precisa de ajuda. “Além da falta de estrutura, da hierarquia e superlotação, os profissionais da rede pública não têm nenhum tipo de amparo psicológico, acabam adoecendo com frequência e não recebem nenhum suporte para retornar ao trabalho”, diz.

Rafael fala que esse tipo de violência é mais comum quando a mulher está sozinha. “Uma das formas de se prevenir é buscar estar sempre acompanhada, principalmente no final da gravidez. Ainda que o pai ou familiares não estejam presentes, pegue os contatos dos vizinhos de confiança ou amigos que possam fazer uma espécie de rede de apoio, caso precise de atendimento emergencial”, conclui.

Vamos levar informação adiante!

O fato de estarmos grávidos de 6 meses foi uma das coisas que motivou a nossa campanha. Quando nasce uma criança, nasce a esperança de um mundo melhor. Vamos continuar lutando por mais humanidade. Mais amor. Mais dedicação. Se você achar que seus direitos estão sendo violados, grite, faça escândalo, DENUNCIE, chame a polícia, use os hormônios a seu favor! Só não perca o que Deus construiu dentro do seu ventre.

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