• Jamile Damasceno e Marcos Romeu

VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA - Assunto de macho!


“Na hora de fazer você não gritou?”

“A culpa é sua que não faz força!“

“Você não pode acompanhar o parto”...

Essa e outras frases são ouvidas diariamente por centenas de mães em trabalho de parto no mundo. Segundo pesquisa da Fundação Perseu Abramo, uma em cada 4 mulheres são violentadas física e psicologicamente por profissionais de saúde. Mulheres que deveriam estar vivendo um dia maravilhoso, mas, longe disso, passam pelos piores momentos de suas vidas.

E o que nós homens temos a ver com isso? Tudo, pois, muitas vezes, sequer podemos entrar na sala de parto para acompanhar o nascimento dos nossos filhos.

Ao longo dessa semana, vamos contar histórias dramáticas de mulheres e buscar profissionais que possam nos ajudar a entender os direitos da família entre o pós-parto e o puerpério! Não seja mais uma vítima, nem permita que amigos passem por isso. Divida sua história conosco e convide pessoas que precisam estar bem informadas.


Dentre as agressões indicadas na Cartilha feita pela Defensoria Pública do estado de São Paulo (imagem ao lado), estão o exame de toque de forma dolorosa; negar algum tipo de alívio para sua dor; gritar com a mulher; não informá-la de algum procedimento que está sendo feito em seu corpo; impedir ou retardar o contato com o bebê sem necessidade, amarrar a mulher tirando sua autonomia.

É impressionante a quantidade de relatos dramáticos e violentos que eu tenho ouvido ao longo desses anos de Papai no controle. São vítimas de uma cultura de descaso, que pune a mulher no momento do parto e coloca os bebês em risco.

Para piorar, a violência obstétrica sequer é considerada crime e muitas mulheres não tem a consciência de que certas condutas são ilegais e inadmissíveis.

Denuncie!

  • Exija cópia de seu prontuário junto à instituição de saúde onde foi atendida. Esta documentação pertence à paciente, podendo cobrar apenas o valor pelas cópias.

  • Procure a defensoria Pública, independente se você usou o serviço público ou privado.

  • No Brasil, existe um canal de atendimento para a mulher vítima de violência por meio do número telefônico 180. O serviço é gratuito e funciona 24 horas todos os dias, inclusive nos finais de semana.

SAIBA MAIS

Lei do Acompanhante no Parto (lei nº 11.108)

A mulher tem direito à presença de um acompanhante de sua livre escolha durante o pré-parto, parto e pós-parto imediato, e esse acompanhante deverá ser indicado por ela.

REDE DE PARTO DO PRINCÍPIO

Dossiê elaborado pela Rede Parto do Princípio para a CPMI da Violência Contra as Mulheres

DECLARAÇÃO OMS

A Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou uma nova declaração sobre “Prevenção e eliminação de abusos, desrespeito e maus-tratos durante o parto em instituições de saúde”.

AGÊNCIA SENADO

A Agência Senado publicou vídeo que traz relatos fortes e debate a preocupação de vários segmentos sociais com a violência obstétrica. Veja aqui.

CARTILHA DEFENSORIA PÚBLICA SP

Cartilha feita pela Defensoria Pública do estado de São Paulo,


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